Relato FISL18

O FISL — Fórum Internacional Software Livre — é considerado um um dos mais importantes eventos de tecnologias livres da América Latina. Um time de 4 pesquisadores do L3P — Fabs Balvedi, Leo Germani, Joyce Siqueira e Mateus Luna — esteve por lá para apresentar dois de seus principais projetos de software livre: o Tainacan e o Mapas Culturais.

O Mapas Culturais é uma ferramenta para integrar e dar visibilidade para projetos, artistas, espaços, eventos culturais e seus produtores. É utilizado por diversos estados e municípios do país, além dos ministérios da cultura do Brasil e do Uruguai. Já o Tainacan é um tema e um plugin que opera integrado à plataforma WordPress com o objetivo de facilitar o uso, a gestão e a customização de repositórios digitais.

Munidos de camisetas e adesivos do Tainacan para estimular a formação de sua comunidade, a equipe aterrissou em uma fria e úmida Porto Alegre, bem diferente da seca e quente Goânia de onde partiu, para apresentar uma palestra e duas oficinas dentro da programação do GT-Cultura do FISL.

parte da equipe do L3P -- Fabs, Mateus e Joyce -- e Gabriel Lemes do Cora Hacker Clube. Foto: Fabs Balvedi Painel FISL18. Foto: Mateus Luna Espaço das comunidades no FISL18. Foto: Scheila Uberti. Equipe L3P no FISL18. Foto: Gabriel Lemes

A palestra sobre o Tainacan contou com cerca de vinte pessoas. Já a oficina teve um público reduzido, mas muito interessado. Na palestra, havia alguns entusiastas do WordPress manifestando sua satisfação pela integração fácil do plugin e do tema à ferramenta. Também outros usos para além da criação de acervos museológicos foram cogitados. Um dos presentes ao final se disse inspirado a subir as fotos de sua família online em seu próprio servidor, e outro comentou que gostaria de usar para ter registro de sua coleção de discos de vinil clássicos.

Palestra Tainacan. Foto: Gabriel Lemes  Palestra Tainacan. Foto: Gabriel Lemes Palestra Tainacan. Foto: Gabriel Lemes Palestra Tainacan. Foto: Fabs Balvedi.  Palestra Tainacan. Foto: Fabs Balvedi. Palestra Tainacan. Foto: Fabs Balvedi.

Na oficina, o funcionário de uma prefeitura percebeu que esse tipo de repositório digital poderia ser utilizado para o sistema arquivístico que têm no Maranhão, e um entusiasta de fotografia cogitou sair do Flickr e montar seu próprio portfólio online com o Tainacan, pois teve muita facilidade com o uso da ferramenta.

Oficina Tainacan FISL18. Foto: Fabs Balvedi Oficina Tainacan FISL18. Foto: Fabs Balvedi Oficina Tainacan FISL18. Foto: Fabs Balvedi  Oficina Tainacan FISL18. Foto: Fabs Balvedi

Aqui você pode baixar os slides da palestra sobre o Tainacan.

A oficina do Mapas Culturais teve poucas pessoas participando durante o FISL, mas foi muito importante como exercício de integração de projetos na equipe do L3P. A Joyce e o Mateus, por trabalharem mais com o Tainacan, pouco conheciam da ferramenta, e encantaram-se com ela. Joyce percebeu seu potencial ao descobrir museus que não conhecia em sua própria cidade, Anápolis, e Mateus teve a sacada de que esta ferramenta provavelmente será útil para ser aplicada na divulgação e organização do FGSL — Fórum Goiano de Software Livre.

  Oficina Mapas Culturais FISL18. Foto: Fabs Balvedi Oficina Mapas Culturais FISL18. Foto: Sheila Uberti Oficina Mapas Culturais FISL18. Foto: Sheila Uberti Oficina Mapas Culturais FISL18. Foto: Sheila Uberti

Aqui você pode baixar uma apresentação sobre o Mapas Culturais.

Para além da programação proposta, a equipe também assistiu e participou de outras palestras e rodas de conversa, bem como articulou conexões com outros projetos, tais como o i-Educar, o Rios e o Baixa Cultura. Dentre os temas de interesse do grupo estavam PHP, Python para Álgebra Linear e Cálculo Numérico, Desenvolvimento para acessibilidade, Elastic Search, Riot, RocketChat e Telegram.

Palestra Telegram Bots. Foto: Mateus Luna Roda de Conversa GT-Cultura FISL18. Foto: Fabs Balvedi Roda de Conversa GT-Cultura FISL18. Foto: Fabs Balvedi Roda de Conversa GT-Cultura FISL18. Foto: Fabs Balvedi Roda de Conversa GT-Cultura FISL18. Foto: Fabs Balvedi Roda de Conversa GT-Cultura FISL18. Foto: Scheila Uberti. Roda de Conversa GT-Cultura FISL18. Foto: Scheila Uberti. Roda de Conversa Futuro do FISL. Foto: Gabriel Lemes 

Mateus relatou ter aproveitado a palestra de acessibilidade em desenvolvimento móvel para conversar com o palestrante sobre seu mestrado (e bater um desespero ao perceber que muito do que deseja fazer está mais longe do que parece). Conversou também com a equipe do RocketChat sobre a ferramenta, o que rendeu algumas análises sobre o uso atual do Riot pela sua comunidade. Também foi um momento para reencontrar colegas do FGSL e acertar os planos para o evento, do qual faz parte da organização. Percebeu muita muita vontade de se fazer algo diferente esse ano, em que comemoram 15 edições. Uma possibilidade poderá vir da conversa que a Christiane Borges promoveu com a equipe da Red Hat International, que resultou na tradução do site e do plano de patrocínio para o idioma inglês.

Joyce relatou que foi difícil escolher quais palestras assistir, dado tantas opções, mas que focou no que seria importante para seu trabalho como docente e para pesquisa realizada no MediaLab e no mestrado. Um destaque para ela foi a palestra sobre o empoderamento das mulheres, especialmente as mulheres negras, que rendeu discussões e reflexões muito relevantes à sociedade. Cabe aqui também comentar que no primeiro dia do evento a página inicial do FISL foi crackeada com uma mensagem de conteúdo misógino, com ataques ao movimento feminista e à posição de apoio à pauta dos direitos das mulheres da Associação Software Livre.org — ASL, entidade promotora do evento. Cabe ressaltar que as respostas que foram dadas a esse ataque não visavam responder aos seus autores, mas sim, principalmente, a outras mulheres. Como muito bem pontuou a Karina Menezes na roda de conversa sobre hackerfeminismo, não vale a pena gastar um segundo respondendo a esse tipo de provocação, mas vale a pena gastar muito tempo, sim, incentivando outras mulheres a não desistirem por conta desse tipo de violência simbólica. E para homens que ainda não conseguiram entender nada, recomendamos essa palestra, que também foi ministrada no FISL18: Desconstrua seu próprio machismo (geek), por Daniel (dax) Coletti.

Sim, o feminismo é um tipo de conteúdo político e muitos eventos de tecnologia sofrem críticas por expor este e tantos outros conteúdos políticos que os artefatos técnicos invariavelmente possuem. Há quem prefira simplesmente ignorar a existência dessa parte política. Porém, ignorar políticas é ignorar responsabilidades e consequências. Por isso, para quem ainda acha que promover esse tipo de separação é saudável, recomendamos a leitura desse artigo de Langdon Winner: Artefatos têm política?

“Se nós supomos que novas tecnologias são introduzidas para se aumentar a eficiência, a história da tecnologia mostra que nós nos desapontaremos algumas vezes. Mudanças tecnológicas expressam uma vasta gama de motivações humanas, dentre as quais o desejo de alguns de dominar outros, mesmo que isso exija um ocasional sacrifício na redução de custos e alguma violação do padrão normal do se tentar obter mais do menos.” — Lagdon Winner

Para quem está com preguiça de ler, seguem aqui alguns artigos mais curtos e em linguagem mais coloquial que ilustram bem a narrativa de Winner:

Ainda dentro de um contexto tanto político quanto tecnológico, várias iniciativas uniram-se para acelerar transformação digital no setor público. Uma rede de lideranças de diversos setores pretende discutir as principais barreiras que impedem a ampla adoção de software livre através do compartilhamento de experiências, boas práticas, projetos bem sucedidos, discussão de formas mais inteligentes de contratação de tecnologia e atração de investimento para projetos abertos. A equipe do L3P está representada dentro desse grupo de trabalho através do pesquisador Leo Germani.

Falando em Leo Germani, este também aproveitou o evento para apresentar e brincar com seu Mod Duo em um momento de descontração e musicalidade dentro de um intervalo da programação oficial, junto com Lucasa e Lucas Zawacki, do Mate Hackers.

Mod Duo e Mate Hackers no FISL18 Mod Duo e Mate Hackers no FISL18. Foto: Scheila Uberti. Mod Duo e Mate Hackers no FISL18. Foto: Scheila Uberti. Performance Mod Duo no FISL18. Foto: Scheila Uberti.Performance Mod Duo no FISL18. Foto: Scheila Uberti. Performance Mod Duo no FISL18. Foto: Scheila Uberti. Performance Mod Duo no FISL18. Foto: Scheila Uberti. Performance Mod Duo no FISL18. Foto: Scheila Uberti. 

Na área de educação, a pesquisadora Fabianne Balvedi participou também do I Encontro de Paulo Freire com o Conhecimento Livre. O evento trouxe para o centro do debate pilares que podem definir os fundamentos de uma práxis tecnológica aplicada à educação, um “conjunto valores de base que interconetam os ideais da educação libertadora de Paulo Freire com os pilares da UNESCO para a educação do século XXI, em consonância com a filosofia GNU e os valores da Cultura Hacker”, como bem pontuou Clarisse Abrahão, uma das coordenadoras do espaço.

Por fim, para todos nós, mesmo o evento tendo diminuído drasticamente seu tamanho (e talvez principalmente por isso) ficou reforçada a importância do FISL se reinventar para continuar acontecendo todos os anos. Pois sua história e trajetória tem um potencial muito grande que não deveria ser desperdiçado. Ele é esse grande encontro de pessoas, comunidades, instituições, empresas, governos, cooperativas, coletivos, etc. onde se consegue trocar muita ideia olho-no-olho com quem nos ajuda a seguir adiante, onde conseguimos recarregar nossas baterias para prosseguir persistindo nesse mantra que tão bem demonstra a importância do software livre para o nosso futuro: o fato de ser socialmente justo, economicamente viável e tecnologicamente sustentável. E tudo isso em meio a um frio gostoso que nos aproxima, rodas de chimarrão que nos aquecem, cappuccinos que nos acordam e, principalmente, um calor humano que nos potencializa! 🙂

 Espaço vazio FISL18. Foto: Leo Germani. Recado FISL18: Não morra FISL! Foto: Scheila Uberti Pôr do sol no Gasômetro, Porto Alegre. Foto: Mateus Luna Recado FISL18: Software Livre Vive, FISL vive, Mariele vive. Foto: Scheila Uberti

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3 thoughts to “Relato FISL18”

  1. Ual… passou um filme aqui na cachola. Muito bom esses relatos. Estou a alguns anos longe de todas essas discussões. Quero muito otimizar meu tempo para reaproximar de vocês nestas discussões e contribuir nestes projetos. Saudades de vcs e sucesso nessa caminhada porreta. Leo, estou com o Quadra aqui. Quero ver esse Duo aê.

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