Tainacan na Linuxdev-br e na Casa de Cultura Tainã

Entre os dias 27 e 29 de agosto de 2018 a pesquisadora Fabianne (fabs) Balvedi viajou para a cidade de Campinas-SP para participar da Linux Developer Conference Brazil e visitar a Casa de Cultura Tainã com o objetivo de divulgar e apresentar o software livre Tainacan à comunidade desenvolvedora e usuária ali presente.

   

A Linuxdev-br é uma conferência anual criada recentemente com o objetivo de se tornar um ponto de encontro internacional para comunidades desenvolvedoras de software livre e de código aberto (FOSS). O foco principal é no desenvolvimento do kernel (núcleo) Linux. Essa edição do evento reuniu cerca de 200 participantes e mais de 30 palestrantes na programação. Também contou com seu primeiro palestrante internacional e mais da metade dos conteúdos da conferência ministrados em inglês. O objetivo dessa internacionalização é promover um maior engajamento de brasileiros na comunidade mundial de desenvolvimento do kernel. O evento também tem como missão buscar a integração de recém-chegados à comunidade FOSS (Free and Open Source Software), bem como a divulgação de iniciativas de software livre em geral, principalmente dentro de Lightning Talks. E foi dentro desse formato desafiador que o Tainacan foi apresentado para este público. Você pode conferir a apresentação na íntegra (a partir do timecode 17:28) no vídeo abaixo:

Os slides de uma versão estendida dessa palestra podem ser baixados aqui: http://medialab.ufg.br/blogl3p/wp-content/uploads/sites/55/2018/08/Tainacan_FISL.odp .

Ao final das apresentações, a pesquisadora foi questionada em relação à conclusão das pesquisas sobre repositórios digitais que originaram o desenvolvimento da ferramenta Tainacan. Sobre o porquê de não ter sido considerada uma continuidade ao desenvolvimento do software livre DSpace para suprir as necessidades levantadas e não contempladas. Como o tempo de fala no evento foi muito pequeno, aprofundamos a resposta através deste relato. Contextualizando, o programa DSpace foi o que teve melhor pontuação entre os demais já existentes e consolidados, mas sua pontuação mesmo assim foi sofrível:


Fonte: https://pesquisa.medialab.ufg.br/item/134333-294617-3-pb/

Segundo a equipe do laboratório, alguns dos fatores cruciais para não se adotar o DSpace foram: dificuldade de encontrar profissionais que trabalhassem com a ferramenta no Brasil; arquitetura de informação muito complexa para usuários mais leigos; dificuldade de instalação, configuração e manutenção por parte das instituições; más experiências que houveram no Brasil de personalização do DSpace e que acabaram descontinuadas pois não conseguiam se manter compatíveis com as novas versões lançadas (Ex. Biblioteca Brasiliana). Ou seja, a pouca maleabilidade do software forçou projetos a fazerem fork, mas era impossível manter isso em sincronia com o desenvolvimento principal, que se configura de maneira bastante centralizada. Além de todas estas questões, vale citar também que, uma vez que a ferramenta traz um fluxo que não é tão simples para o usuário comum, ela acaba por centralizar os depósitos dos materiais, dificultando o movimento de democratização no povoamento dos acervos. Mais informações sobre a pesquisa podem ser encontradas neste artigo: https://pesquisa.medialab.ufg.br/item/134333-294617-3-pb/.

Na segunda-feira, dia 30, visitou-se a Casa de Cultura Tainã, berço de cultura digital popular e a única referência cultural numa região de Campinas onde se registram todos os tipos de carências, resultantes da falta de políticas sociais que assegurem a sobrevivência e a qualidade de vida de crianças e jovens. A primeira estrela da tarde encontrou-se com o caminho das estrelas para alavancar possíveis parcerias.

   

A região de atuação da Casa de Cultura Tainã compreende uma área de concentração populacional de aproximadamente 50.000 habitantes distribuídos em quatro vilas populares das regiões sul e noroeste.  Em um primeiro momento, pensou-se no espelhamento do repositório multimídia Baobáxia da Rede Mocambos. Porém, um fato narrado por TC, griô da Rede, chamou muito a atenção: de que há muito conteúdo produzido e disponibilizado, porém, pouco acessado e consumido. Existe, portanto, mais um desafio nessa equação que a pesquisadora passará a investigar para tentar contribuir para sua solução e sua documentação. Aguardem! 🙂

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