Sobre

Sobre o laboratório:

O Laboratório de Políticas Públicas Participativas, carinhosamente chamado de L3P, é uma unidade de pesquisa e desenvolvimento associada ao MediaLab da Universidade Federal de Goiás e sediado na cidade de Goiânia.
Foi criado em 2014 e surgiu no âmbito da Faculdade de Informação e Comunicação, como uma experiência que tem por objetivo agregar parte de sua comunidade acadêmica em torno da participação social como objeto e objetivo
de pesquisa. O L3P surgiu de uma necessidade de criar um programa de pesquisa interdisciplinar envolvendo 4 diferentes frentes de trabalho que, na compreensão de seus pesquisadores, são elementos que, quando articulados em conjunto, permitem maior compreensão dos fenômenos relacionados à participação social na relação com políticas públicas no século XXI. As frentes de trabalho são:

1. Filosofia da informação: Analisa e reflete a informação como fenômeno humano, envolvendo diferentes olhares que procuram respostas sobre o que é a informação, como ela se forma, o papel da conversação e do relacionamento humano, a importância do indivíduo, do coletivo, o trânsito entre eles, as formas de entendimento da realidade e da produção da ideia de verdade. Nossa maior influência filosófica vem de áreas como a Fenomenologia e as Ciências Cognitivas.

2. Políticas de mediação: Entendemos que a participação social pode acontecer de muitas formas diferentes e com muitos níveis de abertura e fechamento do que caracteriza a possibilidade de participação. Independente das formas, entendemos que a participação se dá como fenômeno político, entrando em cena relações de poder, de saber e da dinâmica de relacionamento humano em suas múltiplas configurações. O estudo dessas diferentes formas, da maneira como acontecem, como poderiam acontecer e os cuidados organizacionais, logo políticos, que devem ser levados em consideração, fazem parte desse eixo de pesquisa. Aqui estudamos e criamos metodologias de participação, analisamos experiências existentes, procuramos entender seus princípios, seus efeitos e propor formas interessantes de estudar e documentar como aconteceram.

3. Ciência de Dados: A participação social necessita de processos claros, consistentes e transparentes de análise e visualização daquilo que é produzido, colaborando para que as pessoas tenham maior clareza do que tem sido dito, proposto e pensado por todos os envolvidos em um modo de participação.
Este eixo de pesquisa envolve conhecimentos de estatística (univariada, bivariada e multivariada), mineração de dados, tratamento da informação, análise de redes sociais (estrutural e dinâmica), jornalismo de dados e design da informação.

4. Tecnologias da informação: As possibilidades contemporâneas de comunicação permitem uma enorme ampliação das alternativas de participação, envolvendo desde o uso estratégico das tecnologias existentes para a criação de experiências participativas até a concepção de novas tecnologias que atendam a desenhos de participação social ainda não possíveis de serem experimentados através das tecnologias existentes. Este eixo de pesquisa envolve arquitetura da informação, customização e desenvolvimento de aplicações (com enfoque especial no modelo software livre), mapeamento de tecnologias participativas em uso nas diversas experiências pelo mundo e customização de APIs (Application Programming Interfaces) de redes sociais existentes.

É através da junção e do diálogo entre diferentes pesquisadores, profissionais e ativistas em torno desses 4 eixos de pesquisa, que acreditamos gerar um ambiente extremamente criativo e desafiador, permitindo produzir um clima institucional no âmbito do laboratório que possibilite produzir novos olhares e identificar novas perguntas a serem respondidas.

(Fonte: MARTINS, Dalton. Laboratório de Políticas Públicas Participativas: Tecnologias livres para a gestão de informações culturais. In: MEHL, João Paulo; SILVA, Sivaldo Pereira. Cultura digital, internet e apropriações políticas. Rio de Janeiro: Folio Digital, 2017. p. 151-157)